sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Consumo de frutas e hortaliças no Brasil

Em artigo publicado na Revista de Saúde Pública, objetivou estimar a frequência do consumo de frutas e hortaliças e os fatores associados.

Foram avaliados 54369 indivíduos com idade maior de 18 anos, residentes nas capitais brasileiras e no Distrito Federal.

Menos da metade dos indivíduos consumiu frutas (44,1%) ou hortaliças (43,8%) em cinco ou mais dias por semana, e menos de um quarto (23,9%) referiu o consumo regular de frutas e hortaliças em conjunto. O consumo adequado, ou seja, em cinco ou mais vezes por dia foi referido por 7,3% dos entrevistados.
O consumo regular de frutas e hortaliças variou bastante entre as regiões do País, sendo maior nas capitais da região Sul (36,5%) e menor nas capitais da região Norte (11,9%).

A frequência de consumo foi maior entre as mulheres (29,2% versus 17,8% nos homens), aumentou com a idade, e foi significativamente maior entre os indivíduos com idade maior ou igual a 65 anos em relação aos jovens com 18 a 24 anos. O aumento na frequência de consumo mostrou-se diretamente associado com a escolaridade.

Concluiu-se que são necessárias iniciativas de promoção do consumo de frutas e hortaliças no Brasil voltadas à população geral, visto que o consumo esteve aquém das recomendações atuais. Entretanto, deve ser dada atenção especial às cidades da Região Norte e Nordeste, aos indivíduos jovens, ao sexo masculino e aos estratos populacionais com baixa escolaridade.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Hormônios da saciedade


Um estudo realizado na Grécia sugere que comer uma refeição rapidamente corta a liberação de hormônios que induzem a sensação de saciedade, o que frequentemente pode levar a comer além do necessário. A associação entre comer apressadamente e ingerir alimentos demais já era conhecida, mas esse estudo inédito traz uma explicação provável para essa relação ao mostrar que a velocidade com que uma pessoa come pode impactar na liberação dos hormônios do intestino que avisam ao cérebro que chegou a hora de parar de comer.

No estudo, os voluntários tomaram 300ml de sorvete a diferentes velocidades. Os cientistas retiraram amostras de sangue dos participantes antes e depois da refeição e descobriram que os que demoraram 30 minutos para tomar o sorvete inteiro tinham concentrações mais altas dos hormônios PYY e GLP-1 e tendiam a sentir-se mais satisfeitos do que os que acabaram antes.

Fonte: Gazeta do Sul, Viver Bem, 23 de novembro de 2009

Boas novas para os diabéticos


A culinária mediterrânea é considerada uma das mais saudáveis e tem em seus pratos grãos integrais, hortaliças, azeite, noz, peixes, frutos do mar. Pois os amantes dessa dieta tem mais um motivo para apreciá-la. De acordo com pesquisa financiada pela Segunda Universidade de Nápoles, na Itália, ela reduz a probabilidade de que recém-diagnosticados com diabetes tipo 2 precisem de tratamento à base de remédios.

Dario Giugliano e seus colegas conduziram um estudo entre janeiro de 2004 e setembro de 2008 na Clínica de Diabetes da universidade italiana. Acompanharam 215 pessoas com sobrepeso (IMC maior que 25) entre 30 e 75 anos. Todos haviam descoberto a doença recentemente, nunca tinham recebido remédios anti-hiperglicêmicos e apresentavam níveis de hemoglobina A1c (HbA1c) inferiores a 11%.

Metade dos participantes aderiu à dieta mediterrânea. O outro grupo adotou uma alimentação de baixo teor de gordura. Em ambos os casos, as mulheres estavam restritas a 1,5 mil calorias por dia, enquanto os homens podiam alcançar 1,8 mil. Todos contaram com conselhos de nutricionistas e tinham de registrar diariamente o que ingeriam.

Segundo o relatório publicado no Annals of Internal Medicine, apenas 44% dos diabéticos que provaram as iguarias mediterrâneas precisaram do auxílio medicamentoso, contra 70% dos que fizeram refeições de baixo teor de gordura. Outras vantagens da dieta mediterrânea em comparação à outra foram maior perda de peso e melhor controle de açúcar no sangue e de risco coronariano.

Apesar desse efeito benéfico, a Associação Americana de Diabetes recomenda que os pacientes recém-diagnosticados com diabetes tipo 2 sejam tratados com a farmacoterapia, bem como com mudanças de estilo de vida.

Fonte: Gazeta do Sul, Viver Bem, 23 de novembro de 2009

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Publicidade de alimentos


As crianças menores de seis anos não conseguem diferenciar conteúdo publicitário na televisão da programação de entretenimento a que assistem. Assim, essa parcela da população está mais propensa a consumir produtos anunciados, que, na muitas vezes, são ALIMENTOS não saudáveis.


As observações foram feitas pela pesquisadora do Centro de Pesquisa em ALIMENTAÇÃONUTRIÇÃO da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília ( UNB), Renata Fagundes, que participou, nesta quinta-feira (19), de audiência pública promovida pelas comissões de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) e de Assuntos Sociais (CAS).


Renata Fagundes informou que, de acordo com estudo realizado pelo centro de pesquisa de 2006 a 2008, quase 70% das peças publicitárias veiculadas em canais de televisão abertos e pagos são direcionadas ao público infantil. A pesquisa também mostrou que 96,7% da propaganda de comida divulgam ALIMENTOS não saudáveis.


A pesquisadora disse que as estratégias de marketing utilizam apelos emocionais - como brindes lúdicos, círculo de amizades e lazer - para aumentar o consumo de ALIMENTOS com alto teor de gordura, açúcar ou sal. Em algumas estratégias, destacou, o consumo do produto é estimulado pela oferta de brindes colecionáveis.


- A criança não começa a consumir o produto pelo produto em si, mas pela estratégia de marketing em que ele é veiculado. E a grande maioria é de produtos não saudáveis - ressaltou.

Abuso

Na avaliação da coordenadora do Projeto Criança e Consumo do Instituto Alana, Isabella Vieira Machado Henriques, a publicidade direcionada ao público menor de 12 anos é abusiva, uma vez que explora a vulnerabilidade infantil. Ela informou que, em alguns países, a veiculação de ALIMENTOS relacionados como causadores de doenças como OBESIDADE e diabetes é controlada. Na Inglaterra, por exemplo, é proibida qualquer propaganda de ALIMENTOS com alto teor de gordura, açúcar ou sal, destinada ao público menor de 16 anos. Já na Noruega é proibida qualquer publicidade desses produtos.


Isabella Henriques informou que 30% das crianças brasileiras estão com sobrepeso e 15% são obesas. Em sua opinião, o número de obesos no país poderia diminuir de 15% a 30% caso a publicidade desses ALIMENTOS não saudáveis fosse banida da televisão. Ela destacou que o Brasil superou em grande parte o problema da desnutrição infantil e, atualmente, enfrenta a OBESIDADE, que causa outras doenças graves.

Fonte: CFN

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Chá verde nas dislipidemias


Em artigo publicado no periódico Arquivos Brasileiros de Cardiologia, em agosto de 2009, objetivou-se investigar os efeitos do chá verde (Camellia sinensis) em pacientes portadores de dislipidemias.

Nos últimos anos, uma crescente atenção tem sido dada ao uso do chá verde na promoção da saúde humana. A redução nas concentrações sanguíneas do colesterol total e do LDL-colesterol, por meio do consumo desse chá, tem sido repetidamente demonstrada em diversos estudos. Alguns estudos postularam que os flavonóides do chá verde (catequinas), em especial a epigalocatequina gallate (EGCG), devido à sua alta concentração de polifenóis antioxidantes, possa ser responsável pela ação benéfica do chá. Acredita-se ainda que os flavonóides do chá sejam efetivos antioxidantes e possam proteger o organismo contra diversas doenças crônicas, principalmente as doenças cardiovasculares.

No estudo não foi possível introduzir o chá na forma de bebida, sendo assim foi administrado em forma de cápsula, o equivalente a quatro xícaras de chá (150ml) por dia. Também foi realizada uma dieta com ingestão menor que 35% do total de Kcal na forma de lipídios totais, com menos de 7% de gordura saturada, quantidade igual ou inferior a 10% de gordura poli-insaturada e até 20% de gordura monoinsaturada. A recomendação de colesterol foi de menos de 200mg/dia.

Neste estudo, após as intervenções, as variações lipídicas médias provocadas pelo uso do chá verde (Camellia sinensis) sofreram uma redução de 3,9 % nas concentrações de colesterol total e uma redução de 4,5 % do LDL - colesterol. Essa quantidade de chá verde ingerida não influenciou significativamente os níveis de HDL-c, dos triglicerídeos e da Apo-B.

Outro benefício atribuído ao consumo do chá verde foi identificado em relação aos parâmetros antropométricos: observou-se perda de peso de 1,7 % e diminuição do IMC de 1,7 % .No grupo placebo, a variação foi significativa mas de menor intensidade, a perda de peso foi de 1,1% e o IMC teve uma redução de 1,1%.

As modificações alimentares, obtidas através da dieta, tiveram influência sobre o consumo de gorduras, principalmente na redução dos ácidos graxos saturados. Houve uma diminuição bastante significativa da ingestão do valor calórico total, a diminuição do consumo de gorduras totais, de gorduras saturadas e do colesterol e o aumento do consumo de fibras. Foi evidenciado também um aumento no consumo de proteínas.

Esses achados mostram os benefícios do chá verde (Camellia sinensis), em concordância com estudos prévios da literatura, mas revelam também que ainda são necessárias novas investigações, com maior número de pacientes e períodos de observação mais longos, para validar as observações iniciais feita neste estudo.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Tratamento nutricional em pacientes com insuficiência cardíaca


O seguinte artigo foi publicado na Revista de Nutrição nos meses de maio e junho de 2009. O título consta acima e a seguir um resumo deste artigo:

A IC é um problema grave e crescente de saúde pública em todo o mundo, sendo a via final comum da maioria das cardiopatias. Aproximadamente 23 milhões de pessoas são portadores dessa doença e dois milhões de novos casos são diagnosticados a cada ano. Pode-se estimar que até 6,4 milhões de brasileiros sofram dessa síndrome.

A evolução clínica dos pacientes com IC, via de regra, caminha para quadros variáveis de desnutrição. Esta pode ocorrer devido à ingestão inadequada, ao metabolismo alterado, ao estado pró-inflamatório, ao aumento do estresse oxidativo e à maior perda de nutrientes, até mesmo pelas interações medicamentosas. A anorexia é conseqüência da redução da ingestão de nutrientes ou da associação das alterações absortivas e metabólicas.

A presença da desnutrição constitui importante fator preditivo de redução de sobrevida nos pacientes com IC.

Em um estudo foram estabelecidas recomendações energéticas para pacientes com IC clinicamente estáveis. Estas são de 28kcal/kg para pacientes com estado nutricional adequado e 32kcal/kg para pacientes nutricionalmente depletados. Para este cálculo deve-se levar em consideração o peso do paciente na ausência de retenção hídrica.

Os carboidratos devem representar em torno de 50 a 60% do valor energético da dieta, evitando-se os carboidratos simples e dando preferência aos carboidratos de baixa carga glicêmica. O excesso de carboidratos, especialmente os de alta carga glicêmica, pode agravar o quadro de resistência à insulina, comumente percebido em pacientes com insuficiência cardíaca, o que representa mau prognóstico para estes. A insulina é um hormônio natriurético e a resistência a ela pode agravar a retenção de sódio e água.

A recomendação diária de fibra de 20 a 30g previne a obstipação intestinal e o conseqüente esforço para evacuar.

Estudos mais recentes indicam necessidades protéicas de 1,1g/kg/dia para pacientes com estado nutricional adequado e de 1,5g/kg/dia a 2,0g/kg/dia para os com depleção nutricional ou que apresentem perdas por nefropatia ou má absorção intestinal.

Os lipídios complementam o valor energético total da dieta, não excedendo 30% deste. Deve-se evitar o consumo de alimentos contendo gordura trans, reduzir a ingestão de gordura saturada e dar preferência às gorduras mono e polinsaturadas, com ênfase aos ácidos graxos da série ômega 3, que apresentam efeitos positivos em pacientes com insuficiência cardíaca sintomáticos.

A má absorção de gordura ocorre em cerca de 1/3 dos pacientes com caquexia cardíaca e, na ocorrência de esteatorréia, indica-se a suplementação de triglicerídeos de cadeia média.

No paciente com insuficiência cardíaca severa, a ingestão de sódio deve ser, no máximo, de 2-3g/dia, podendo ser modificada de acordo com o sódio plasmático e a tolerância à dieta hipossódica. Além do controle do sal adicionado às preparações, deve-se orientar o paciente quanto aos alimentos com alto teor de sódio.

O grande problema da dieta hipossódica é a baixa adesão, devido à palatabilidade dos alimentos. É necessário fornecer orientações e receitas com temperos e ervas naturais para serem usados nas preparações, pois somente com a educação nutricional a adesão à restrição sódica irá acontecer de maneira efetiva e eficaz.

Na prática diária, a quantidade de água máxima é de 2,0L/dia é recomendada. No entanto, em pacientes com estado congestivo, a ingestão hídrica pode ser menor, devendo ser restringida de acordo com a superfície corporal.

Pacientes com IC devem ser orientados no sentido de minimizar a ingestão de bebidas alcoólicas.

É importante oferecer uma dieta com volume reduzido e fracionamento aumentado (6 a 8 refeições/dia).

As necessidades de vitaminas e minerais devem ser oferecidas de acordo com a necessidade do paciente. Deve ser seguidas a RDA (mínimo) e UL (máximo).

Existe uma crescente evidência de que a dietoterapia é um fator importante no prognóstico e no tratamento dos pacientes com insuficiência cardíaca, porém ainda há diversas lacunas no que diz respeito à suplementação de nutrientes.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Vegetais podem conferir proteção ao câncer


Pesquisadores norte-americanos encontraram que dieta rica em vegetais crucíferos alterou beneficamente a comunidade bacteriana do intestino humano comparada com dieta sem vegetais e sem fibras, trazendo proteção contra diversos tipos de cânceres do trato gastrintestinal.


Doze homens e cinco mulheres saudáveis, com idades entre 20 e 40 anos e índice de massa corporal (IMC) dentro da faixa de normalidade (18,5 a 24,9 kg/m2) participaram deste estudo. Não poderiam participar do experimento aqueles que apresentassem alguns dos seguintes critérios de exclusão: desordens gastrointestinais, alergia ou intolerância a algum alimento utilizado no estudo, uso de antibiótico nos três meses antecedentes ao estudo, uso de medicamentos e constipação grave que necessitasse tratamento médico.


Todos os participantes consumiram duas dietas diferentes durante 14 dias cada uma, com intervalo de 21 dias entre elas. As dietas foram calculadas para oferecer proporções similares de macronutrientes, com exceção à quantidade de fibras alimentares:

• Dieta basal (DB): dieta base, privada de frutas, vegetais e alimentos integrais


• Dieta vegetal (DV): dieta base com adição de 14 g/kg peso corporal/dia de vegetais crucíferos (brócolis, couve-flor, repolho verde e roxo)



Embora cada indivíduo apresentasse uma comunidade bacteriana intestinal particular, as análises mostraram que houve diferença significativa entre a estrutura da comunidade bacteriana intestinal dos participantes quando se alimentaram da DB comparada com a DV.

“Os vegetais crucíferos são ricos em alguns componentes dietéticos, como as fibras alimentares (celulose, hemiceluloses e pectina) e outros componentes como as lignanas (esteróide vegetal de ação análoga ao estrógeno em mamíferos) e os glucosinolatos (fitoquímico), que servem como substratos metabólicos para algumas bactérias do intestino humano”, relatam os autores.


Os vegetais crucíferos conferem proteção contra o câncer, especialmente os cânceres do trato gastrointestinal, bexiga, próstata e pulmão. Isto porque as bactérias intestinais que se “alimentam” dos componentes desses produtos alimentícios suprimem o crescimento de células tumorais. Além disso, um componente presente nesses alimentos, o isotiocianato (produto da hidrólise dos glucosinolatos), apresenta propriedades anticarcinogênicas, contribuindo ainda mais com esta proteção.

Fonte: Nutritotal

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Falta de sol, cálcio e vitamina D

O aumento da expectativa de vida do brasileiro tem sido acompanhado por uma epidemia silenciosa, que pode ganhar maiores proporções nas próximas décadas. A vilã, conhecida como osteoporose, compromete a QUALIDADE DE VIDA de uma em cada três mulheres acima de 50 anos e contabiliza, atualmente, pelo menos 10 milhões de vítimas em todo o Brasil. Especialistas alertam que a pouca ingestão de cálcio e os baixos níveis de vitamina D no sangue da população infantil indicam que as crianças de hoje são fortes candidatas a sofrerem do mal em um futuro próximo.


A osteoporose é a doença metabólica mais comum em todo o mundo. Ela afeta os ossos, deixando-os mais fracos e propensos a sofrerem fraturas. Não existem estudos epidemiológicos que comprovem o aumento da incidência no país, mas a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) não tem dúvidas: o número de vítimas do mal já configura um problema de saúde pública. A doença não é letal, mas as fraturas decorrentes do enfraquecimento ósseo podem levar o paciente à morte. As mais comuns são as de quadril, vértebras e fêmur (osso da coxa). Estudos sugerem que a primeira ruptura ocorre um ano depois do aparecimento da patologia, que é praticamente assintomática. Cerca de 200 mil pessoas morrem por ano no Brasil em decorrência dessas fraturas.


"Menos de 10% das pessoas que quebram o fêmur, osso mais resistente do corpo humano, recebem diagnóstico e tratamento para a doença", revela a presidente do Departamento de Metabolismo Ósseo e Mineral da SBEM, Victória Borba.

Idade avançada, histórico familiar, ALIMENTAÇÃO pobre em cálcio, sedentarismo, tabagismo, alcoolismo e baixo índice de massa corporal são fatores de risco. A menopausa também está entre as causas mais comuns, pois a falta de estrogênio reduz a composição óssea. A reumatologista Ana Patrícia de Paula explica que o esqueleto, além de promover sustentação ao corpo, é fonte de cálcio para funções importantes, como batimentos cardíacos e força muscular. "É uma estrutura viva, que está em constante renovação. Sua destruição e reconstrução ocorre simultaneamente em diferentes partes do esqueleto", assegura.


Homens

A osteoporose é o desequilíbrio desse processo. A remodelação óssea não consegue acompanhar a absorção do cálcio pelo organismo, caso o elemento não tenha sido armazenado ao longo da vida. A médica ressalta que, apesar de mais comum entre as mulheres, a doença não é exclusivamente feminina. Os homens sofrem com o problema, mas em idade mais avançada e com um agravante: o mal geralmente vem acompanhado de outras patologias comuns em idosos. "As fraturas são mais graves entre os homens, o que faz com que a taxa de mortalidade decorrente dessas rupturas seja maior entre eles", observa Ana Patrícia.

As mulheres também são mais cuidadosas. Depois que descobrem a doença, passam a monitorá-la atentamente. É o caso da dona de casa Odete Chinchilla, 78 anos. Três décadas depois de ter recebido o diagnóstico pelas mãos de uma ginecologista, ela confessa ter sofrido várias fraturas. No entanto, conseguiu se recuperar de todas e faz questão de curtir a terceira idade ativamente, seguindo a DIETA recomendada e exercitando-se dentro do possível. "Tinha pouco mais de 50 anos quando a osteoporose chegou em minha vida. A médica se assustou com a perda óssea avançada para a minha idade. A menopausa agravou a doença", conta. De lá para cá, Odete fraturou a coluna virando na cama, quebrou o joelho, os pés, as costelas e sofreu com as dores decorrentes dos acidentes. "Tive infância saudável, mas sou muito clarinha e baixinha, e isso é um fator de risco, sem contar que sempre tomei muito refrigerante, o que também colaborou", confessa.


Para Francisca Maria da Silva, 57 anos, a osteoporose foi uma surpresa. Voluntária do Centro do Idoso do Hospital Universitário de Brasília (HUB), ela nem chegou a desconfiar da doença. "Uma médica suspeitou da minha postura curvada e pediu um exame, que não deixou dúvidas. Desde então, tomo medicamentos para repor o cálcio e tenho mais cuidado com a ALIMENTAÇÃO. Bebo muito leite, como queijo e folhas verdes e tento prevenir as quedas. Tem dado certo. Graças a Deus, não tive nenhuma fratura ainda", comemora.


Prevenção

A osteoporose é comprovada por meio da densitometria óssea, exame de imagem que faz uma varredura na coluna e no fêmur do paciente. Abaixo dos 40 anos, a doença é rara e quando ocorre é preciso investigar causas secundárias do enfraquecimento ósseo. Indivíduos asmáticos, com doença celíaca, usuários crônicos de corticosteroides estão mais expostos ao mal. As drogas disponíveis não curam, mas previnem as fraturas. O próprio cálcio, vitamina D, medicamentos formadores de massa óssea ou antirreabsortivos, que não deixam o osso se desgastar e promovem a absorção de cálcio, fazem parte do arsenal.

A prevenção, porém, é a melhor arma. Ela é possível com boa ALIMENTAÇÃO, composta de leite e seus derivados, e exposição solar saudável. "As crianças de hoje não comem bem, não brincam, não recebem os benefícios dos raios solares. Em Curitiba, uma pesquisa detectou que 40% delas em idade escolar têm insuficiência de vitamina D, o que nos leva a acreditar que a epidemia de osteoporose pode ganhar força nas próximas décadas", lamenta a representante da SBEN, Victória Borba.


Necessidade de sol

A vitamina D promove a absorção de cálcio, essencial para o desenvolvimento de ossos e dentes, e para coração, cérebro e pâncreas. A substância não é encontrada pronta na maioria dos ALIMENTOS, mas sintetizada a partir de uma proteína existente no organismo - o calciferol -, com ajuda da exposição solar. Funciona assim: ao ingerirmos a pró-vitamina D dos ALIMENTOS, precisamos da radiação ultravioleta para transformá-la em vitamina D. Por isso, pessoas com restrições de exposição solar precisam reforçar as fontes dessa vitamina no cardápio.


Fonte: CFN

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Nutrição do bebê tem efeitos mais tarde


Existem evidências científicas de que problemas de saúde do adulto podem ser desencadeadas já na alimentação infantil. A nutrição na infância tem sido estudada há muitas décadas no sentido de garantir um crescimento saudável, livre de doenças.

Sabe-se há muito tempo que o leite materno deve ser o alimento único nos primeiros seis meses de vida, propiciando um crescimento ideal, redução de infecções e alergias, garantindo nos primeiros meses uma vida saudável. "Vale ressaltar que uma criança nos primeiros seis meses dobra o peso de nascimento e triplica seu peso até um ano. É um período onde a nutrição tem papel fundamental na base da saúde", destaca José Spolidoro, presidente da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (SBNPE).

Este assunto será o tema central do Congresso Brasileiro de Nutrição Parenteral e Enteral que ocorrerá em Natal - RN, entre os dias 29 de novembro e 2 de dezembro. Na ocasião estará presente o médico Berthold Koletzko, da Alemanha, que tem coordenado os estudos sobre o assunto em muitos centros na Europa.

Risco de hipertensão no primeiro ano
Na última década, os pesquisadores passaram a se preocupar não só com o crescimento saudável, mas quanto desta alimentação poderá promover uma vida sadia na maturidade. Eles verificaram que a fase de vida em que o sal tem a maior correlação com o desenvolvimento de hipertensão arterial é no primeiro ano. Em nenhuma outra fase o sal pode ser tão relacionado com esta patologia do adulto quanto nos 12 primeiros meses de vida.

O sal é oferecido na introdução de sólidos, quando a criança ainda não desenvolveu este paladar, mas os adultos provam os alimentos e colocam sal baseados em seu próprio gosto. "Ao acrescentarem sal na alimentação, estão estimulando este paladar e em geral oferecendo excesso deste nutriente. Além disto, as crianças que recebem leite de vaca integral ao invés de leite humano também acabam excedendo a ingestão de sódio (principal componente do sal)", diz Spolidoro. O leite de vaca tem altas concentrações de sódio, assim como de proteína, que por sua vez tem sido associado à síndrome metabólica eobesidade na vida adulta.

Estudos constataram que excesso de proteína e ganho de peso muito rápido, especialmente em prematuros e recém-nascidos de muito baixo peso, promove distúrbios metabólicos, alterações gênicas (isto se chama epigenética), favorecendo o desenvolvimento desta grave patologia na vida adulta.

A obesidade é o mal do século, acometendo uma população cada vez maior em todo o mundo, e isto pode ter seu início na alimentação do primeiro ano de vida. "Assim, cuidar da alimentação de nossos bebês é da maior importância, evitando excessos e ganho de peso além das curvas de crescimento normal", finaliza Spolidoro.

Fonte: Jornal Gazeta do Sul (02 de novembro de 2009)

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Anemia em crianças


Um estudo feito por médicos da Universidade de Campinas constatou que quase 5 milhões de crianças com idade pré-escolar sofrem com a falta de ferro no organismo, que pode levar a anemia. A causa do problema é a má alimentação das crianças, que preferem alimentos industrializados e pouco nutritivos a uma alimentação balanceada com carne, feijão e verduras. Segundo o estudo, apenas uma alimentação balanceada com arroz, feijão, carne e vegetais pode evitar o déficit de ferro no sangue e, consequentemente, uma anemia.


A nutricionista Suzana Janson Franciscato afirma que, além de uma alimentação balanceada, não se deve servir leite junto a alimentos ricos em ferro. Segundo a nutricionista, "não se deve servir leite junto com as refeições ricas em ferro, porque, com o cálcio ele compete com a absorção do ferro, sempre ganhando o cálcio no lugar do ferro".

O feijão e os vegetais de folhas verdes escuras (como por exemplo, o agrião, a rúcula e o couve) são alimentos ricos em ferro.


Fonte: CFN